UN climate summit begins with emotion and a catastrophic note
Comments offCOPENHAGEN–It was a dramatic start. A lone girl with a white stuffed teddy bear in hand, holding desperately to a tree trunk in a frightening flood. The UN climate summit here in the Danish capital kicked off this week with this creepy video, followed by speeches about the catastrophe that awaits if the people gathered here do not craft a deal to avoid global warming.
The story in Portuguese is below.
Foi um começo dramático: a cena de uma menina sozinha, com um urso branco de pelúcia na mão, segurando-se desesperada num tronco de madeira com uma enchente assustadora bem debaixo dela. A cena anterior mostrava a mesma criança acordando em sua cama, mas no meio de um deserto. A CoP-15, o maior evento de cunho político da história, começou ontem, em Copenhague, numa segunda-feira enevoada, 5 graus lá fora, e um vídeo de arrepiar.
O secretário-executivo da Convenção do Clima das Nações Unidas, Yvo de Boer, abriu seu discurso em tom igualmente didático e atordoante. “Minha mãe estava segurando meu irmão mais novo e minha irmã mais velha segurava minha irmã mais nova”, começou de Boer. E seguiu repetindo as palavras de Nyi Lay, um menino de 6 anos, que viveu a pavorosa experiência de um ciclone. Algumas semanas depois, o garoto reencontrou a avó e as irmãs, mas nunca mais teve notícias dos pais e do irmão menor. “Senhoras e senhores: é a repetição de casos como esse que o mundo tem que evitar.”
O primeiro-ministro dinamarquês Lars Rasmussen lembrou que o “aquecimento global não tem fronteiras, não discrimina e afetará a nós todos.” Em seu discurso de abertura, disse que é possível mudar e contou que na CoP-15 não há garrafas de água, só água “limpa, pura e da torneira”. Que dois terços de toda a comida servida aqui é orgânica. E que os participantes não ganharam sacolas de brindes. “Decidimos cortar os presentes e com o dinheiro trazer 11 estudantes de várias partes do mundo que vão freqüentar um mestrado de dois anos sobre clima na Dinamarca.” Foi aplaudido. O problema é que, buscando salvar esta conferencia a qualquer custo, seus assessores prepararam um dos documentos mais misteriosos da CoP-15: um acordo protocolar, vago e fraco, que ninguém viu e quem viu, não gostou.
Sua ministra do meio ambiente, Connie Hedegaard, eleita presidente da CoP-15 falou de forma bem mais contundente. Disse que é preciso fazer um acordo forte e agora, já.
Aliás, aqui, ninguém parece falar a mesma coisa, mesmo quando as palavras são as mesmas. Pelos corredores escutam-se diplomatas explicando a jornalistas (há 3500 na CoP e mais 1500 para chegar) o que seria um acordo “legally binding”, algo como um acordo politicamente obrigatório e vinculante e que a pessoa deveria buscar um “non-paper” no guichê. É um papel como qualquer outro – só que na linguagem das CoP, um non-paper é um rascunho de alguma proposta. Mas um rascunho oficial, com logo das Nações Unidas e tudo.
Na semana que vem, 110 chefes de Estado são esperados no grande centro de convenções, o Bella Center. É um lugar acarpetado, gigante e frio como costumam ser os centros de convenções. Tem sofás cinzas bonitos espalhados em alguns cantos e outros lugares esquisitos. Quem quer chegar à delegação brasileira, por exemplo, passa por um túnel de paredes de plástico, do mesmo material dos banheiros químicos dos shows – mas que aqui, por sorte, são brancas. Uma enorme torre eólica, da Vestas, está plantada em uma saída. Em um dos caminhos há um grande globo. É para lembrar os 20 mil políticos, cientistas e ambientalistas que circulam pelo circo climático que a CoP-15 tem que resolver o problema da vida de Leah Wickham, uma estudante de 24 anos das Ilhas Fidji. Ela contou sua história subindo repentinamente no palco de onde saíam Yvo de Boer e Connie Hedegaard ao término de uma coletiva de imprensa. “Por favor, nos ajudem a salvar o meu país”, disse a moça, chorando. Ativistas da campanha TikTak, mostrando que conseguiram 10 milhões de assinaturas de gente pelo mundo pedindo que os governos assinem um bom acordo em Copenhague, estavam, silenciosos, atrás dela. Foi o momento mais emocionante do primeiro dia da CoP-15. (DC)

