Study analyses the role of businesses on deforestation

By: Paula Scheidt Manoel on October 29th, 2009

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O que uma grande companhia aérea européia tem a ver com o desmatamento na Amazônia? Provavelmente muito, já que há grandes chances de o frango que é servido a bordo ter sido alimentado com soja que, muito possivelmente, veio de plantações brasileiras que contribuíram para a destruição de mata nativa.

Indivíduos e empresas contribuem para o desmatamento muitas vezes sem saberem disto, pois tais conexões da origem da matéria-prima até o produto que chega aos consumidores nem sempre são fáceis de serem feitas.

“Se de um lado os países ricos dizem para parar o aquecimento global dando dinheiro para conter o desmatamento nos países pobres, por outro lado é o próprio mercado destes países que está incentivando a derrubada das florestas”, afirma o coordenador de campanhas da Global Canopy Foundation, Niki Mardas.

A redução do derrubada de florestas em países em desenvolvimento, como o Brasil e a Indonésia, é um dos pontos principais em jogo nas negociações internacionais para controlar o aquecimento global.

O desmatamento é apontado como responsável por 17,4% das emissões mundiais de gases do efeito estufa e os países ricos querem que os pobres o diminuam, contribuindo assim para mitigar as mudanças climáticas. Para isso, estão dispostos a pagar por esta redução, no mecanismo chamado REDD (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação).

Junto com medidas de controle e fiscalização dos governos em solo e incentivos financeiros para manter as áreas de preservação ambiental bem cuidadas como o REDD, identificar esta pegada florestal e, depois, reduzi-la é um passo crucial para proteger as florestas.

Por esta razão, a Global Canopy Foundation se propôs a analisar a produção das cinco commodities chaves no processo de desmatamento – soja, carne bovina (e couro), madeira, óleo de palma e biocombustíveis – para mostrar às empresas o quanto seus negócios contribuem para a destruição das florestas, no chamado projeto Forest Footprint Disclosure (FFD).

“Nosso objetivo é ajudar os negócios a entender e medir sua pegada florestal. Só depois eles poderão lidar com ela”, explica Mardas.

Segundo o estudo, estimados 32% da soja brasileira são exportadas para a Europa e tem como destino principal a alimentação de rebanhos de aves ou porcos, por exemplo. Entre 1999 e 2004, a produção de soja na região da Amazônia cresceu 15% ao ano, com a safra de 2004/05 produzindo 50 milhões de toneladas sobre 23 milhões de hectares – uma área do tamanho do Reino Unido.

Outro exemplo vem do óleo de palma, que é considerado um ‘super produto’ pela sua alta versatilidade, já que serve para fazer desde pasta de dente e chocolates até sopas e cereais. Praticamente 10% do que está nas prateleiras dos mercados europeus contém óleo de palma. Mais de 80% das 42 milhões de toneladas produzidas em 2007 mundialmente vieram da Indonésia e Malásia.  Entre 1990 e 2005, mais da metade da expansão nestes países ocorreu na conversão de matas nativas e turfas.

“A demanda global por commodities pode ser considerado o principal fator que sozinho mais contribui para o desmatamento”, afirma Mardas.

A instituição está trabalhando com mais de 200 empresas listadas no Fortune 500 e no FTSE 350, que reúnem as maiores companhias do mundo, com grande potencial de impacto sobre as florestas na sua cadeia de suprimento.  Companhias como Adidas, British Airways, Kingfisher e Sainsbury são algumas das que já se comprometeram a fornecer informações e reduzir este impacto.

Para convencê-las, a Global Canopy Foundation mostra os três grandes riscos para as empresas caso elas mantenham seus negócios como estão hoje: reputação; regulação, uma vez que o número de países que criam leis para proteger as florestas é crescente, e continuidade do próprio negócio, já que a destruição de ecossistemas a longo prazo inevitavelmente irá impactar os serviços ambientais, como a água, que são essenciais para a produção da matéria-prima .

“Elas precisam olhar para a pegada florestal pelo seu próprio interesse, não apenas para o bem do planeta”, comenta.

A iniciativa recebeu o apoio de 26 gestores de fundos, com ativos financeiros da ordem de US$ 2,9 trilhões, que estão observando o comportamento das empresas que respondem aos questionários com informações sobre sua cadeia de suprimento. Em janeiro, será publicado um relatório com os dados coletados juntos a todas estas companhias.

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