Rich vs. Poor in UN climate talks

By: Daniela Chiaretti on December 12th, 2008

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High-level UN climate talks in Poland began Thursday as a struggle between rich and poor. Industrialized countries were still far from agreement on setting limits on greenhouse gas emissions, and were at an impasse over money to help poor countries cope with climate change.

Poznan, Poland — A reunião ministerial da conferência das Nações Unidas sobre mudanças climáticas que ocorre na Polônia começa em clima de embate entre ricos e pobres. Os países industrializados, que deveriam ter acertado as novas metas de redução de emissões de gases-estufa para depois de 2012, estão longe de chegar a uma decisão. Outro impasse gira em torno ao acesso ao Fundo de Adaptação, o dinheiro necessário para que os mais pobres, e que são os que mais sofrem o impacto do aquecimento global, possam se ajustar ao fenômeno.

Sobrou para os 140 ministros de Meio Ambiente resolverem hoje se algo mais contundente sairá da CoP-14, o nome da conferência. No primeiro e fundamental ponto, as novas metas de redução de emissões para o segundo período do Protocolo de Kyoto, tarefa que cabe às nações industrializadas, há pouca esperança de avanços. O bloco dos países em desenvolvimento, reunidos no G-77 mais a China, quer que as novas metas sigam a recomendação do IPCC, o braço científico da ONU, e sejam algo entre 25% a 40% em 2020, sobre os níveis de 1990. Só assim, acredita-se, a temperatura do Planeta pode aquecer no máximo 2°C neste século e minimizar os desastres climáticos que virão. Mas as nações industrializadas, que sequer conseguem cumprir o corte de 5% sobre as emissões de gases-estufa de 1990, meta que vigora agora pelo Protocolo, não se acertam com os novos números. A União Européia anuncia cortes de 20% em 2020, e é a proposta mais arrojada que está na mesa. O Canadá assinou Kyoto, mas é o único país a dizer claramente que não cumprirá as metas e suas emissões, ao invés de caírem, já cresceram 14%. A Austrália, que em 2007 finalmente aderiu ao Protocolo, anunciará em uma semana cortes tímidos que, especula-se, podem ser algo entre 5% e 15%. Todos os outros aguardam o que fará a nova administração de Barack Obama. O presidente eleito dos Estados Unidos diz que pretende chegar a 2020 com os níveis de emissão de 1990. É um avanço para o país que mais emite gases-estufa no mundo, nunca assinou Kyoto, mas está muito aquém do necessário. “As nações ricas não estão estabelecendo novas metas e cobram ações dos países em desenvolvimento”, diz a ambientalista Tasneem Essop, da WWW – África do Sul. Ela enumera que muito tem sido feito por estes países, para mostrar que estão contribuindo para a solução do problema. A China, por exemplo, praticamente alcançou a meta de ter 10% de energias renováveis na sua matriz em 2010 e pode chegar a 20%. O plano nacional de mudanças climáticas da Índia prevê a retirada de 10 mil MW gerados em termoelétricas a carvão ineficientes em 2017. A África do Sul anunciou uma estratégia de redução de gases de longo prazo e as Filipinas têm uma nova lei que fala em 50% de suprimento energético baseado em fontes renováveis. “A idéia que as nações em desenvolvimento não estão contribuindo para a solução do problema não poderia estar mais longe da verdade”, disse Yvo de Boer, secretário-executivo da Convenção de Mudanças Climáticas. “O que eles dizem é que para ir adiante têm que ter financiamento, tecnologia e capacitação, e isso têm que vir dos industrializados.” Dificilmente esta pendência terá alguma solução em Poznan. “Hoje, com a crise financeira, é difícil chegar para um ministro das Finanças e pedir dinheiro para mudanças climáticas”, reconhece Boer. A outra aresta, o acesso ao Fundo de Adaptação, é mais possível de ser resolvida. “O copo está 4/5 cheio”, animou-se Boer. Adaptação é um termo amplo que define ações necessárias para os países enfrentarem as mudanças climáticas. Podem ser diques e barragens na Holanda ou abrigos em Bangladesh. O fundo foi acertado na edição passada da conferência, em Bali, em 2007. Ele se financia com 2% dos recursos provenientes dos projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, os MDL, um sistema pelo qual os países ricos, com obrigações de reduzir emissões, investem em projetos de tecnologia limpa em países em desenvolvimento, que ganham créditos de carbono por isso. Só que o fundo é muito tímido, tem hoje algo próximo a US$ 70 milhões e deveria, fala-se pelos corredores de Poznan, ser de US$ 70 bilhões anuais para dar conta do recado. Quem administra o dinheiro é o GEF, um braço do Banco Mundial, que os países em desenvolvimento consideram burocrático e pouco ágil. É este um dos pontos polêmicos. A demanda dos pobres é ter acesso livre ao dinheiro. A outra pendência esconde uma forte briga de interesses nos bastidores das negociações e tem a ver com quem bancará uma tecnologia que ainda engatinha em todo o mundo e interessa muito aos países produtores de petróleo e carvão – a chamada CCS, ou Captura e Seqüestro de Carbono. A Arábia Saudita quer que os CCS sejam considerados projetos de MDL e se beneficiem dos créditos de carbono. Brasil e pequenas ilhas se opõem. O medo é que com o volume de petróleo e carvão existente no mundo, todos os créditos do MDL migrem para países de matriz energética suja. O financiamento e a transferência de tecnologia é ponto fundamental que praticamente não avançou no processo, diz Luiz Alberto Figueiredo Machado, o chefe dos negociadores brasileiros. Este assunto, certamente, só será definido em Copenhague.

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