Progress in forest protection, but enough to make a difference?
No commentsCOPENHAGEN–Amidst the turmoil over reducing carbon pollution and how to pay for it, talks about forest protection seemed to have made the most progress by the end of the first week here at the UN climate summit.
For Brazil, however, there are two sides to this coin. Brazil does not want to lose its bargaining power. Nor does it want a deal on forests used to pretend that the Copenhagen climate talks have been a success. Without firm pledges by rich countries to reduce fossil-fuel burning and the global warming it causes, as well as significant money for poor countries to cope with climate change, the importance of forests for carbon emissions trading schemes will remain of theoretical relevance only, critics charge.
The story in Portuguese below.
No final da primeira semana de negociações em Copenhague, o assunto que mais avança é a proteção das florestas. Para o Brasil esta é uma moeda de duas faces. Se este tópico está adiantado e é animador, o financiamento e metas mais ambiciosas de corte de gases-estufa dos países ricos continuam parados. O Brasil não quer perder seu poder de barganha e nem quer que o acordo no capítulo sobre florestas sirva para fingir que Copenhague foi um sucesso. Sem dinheiro ou compromissos dos países ricos, a valorização das florestas continuará no papel.
O assunto tem muita visibilidade nos corredores do Bella Center e também fora daqui. Como já aconteceu na conferencia do ano passado, em Poznan, o tema Redd – o mecanismo de redução de emissões de gases-estufa que acontecem no desmatamento e degradação das matas – é a vedete dos eventos paralelos às reuniões dos diplomatas.
Ontem, o presidente dos Estados Unidos Barack Obama falou, em Oslo, sobre o assunto. “Estou muito impressionado com o modelo que vem sendo construído entre a Noruega e o Brasil e que permite monitoramento eficiente e garante que façamos progressos em evitar o desmatamento da Amazônia”, disse Obama referindo-se ao Fundo Amazônia, que tem recursos noruegueses administrados pelo BNDES e financia projetos que valorizam a floresta em pé. “E nós todos entendemos que esta é provavelmente a maneira mais eficiente, em termos de custo, de enfrentarmos a mudança climática”, prosseguiu Obama. Sem citar o termo Redd, Obama se referiu a ele: “uma série de mecanismos que evitam o desmatamento futuro e, esperamos, também para plantar novas árvores.”
Mas na sala de negociação do texto sobre Redd, é só aparecer a palavra dinheiro que a delegação americana veta. “Chegam a dizer ‘delete’ o tópico”, conta um observador do G-77, o grupo dos países em desenvolvimento mais a China, lembrando que os delegados americanos querem que o termo desapareça. “O que está avançando é a moldura de Redd”, diz Suzana Kahn Ribeiro, secretária de mudanças climáticas e qualidade ambiental do Ministério do Meio Ambiente.
Mesmo na discussão da “moldura” de Redd há atritos. Os EUA, por exemplo, defendem que o mecanismo seja “subnacional” enquanto o Brasil prefere um viés nacional. Isto significa que a contagem de quanto o Brasil deixou de desmatar e deixou de emitir é nacional, não estadual. Os créditos correspondentes ao esforço, ou a doação em dinheiro de cofres públicos (como os recursos da Noruega, no Fundo Amazônia) seriam também centralizados no país. Desta forma, entendem especialistas, evita-se que o desmatamento “vaze” para áreas vizinhas não protegidas por mecanismos de Redd. “Tem que estar dentro da contabilidade nacional, para que não haja vazamento”, concorda Paulo Adario, coordenador da campanha Amazônia do Greenpeace.
Entre os negociadores de Redd, que estão revisando o texto fechado em Barcelona mas ainda não aprovado, não há consenso sequer sobre a definição do que são florestas. Estados Unidos e alguns países africanos preferem a definição de floresta da FAO, que não faz distinção entre floresta nativa ou plantada. É isto que quer a indústria da madeira, por exemplo. O governo brasileiro entende que Redd é um mecanismo para proteger florestas nativas e teme que o incentivo a reflorestamento, neste caso, crie uma dinâmica perversa que estimule o desmatamento. Os negociadores brasileiros defendem, então o conceito de floresta natural da FAO.
Um dos pontos mais polêmicos de Redd é o chamado “offset”, ou compensação. Em sua lei doméstica, os EUA estimam que parte de sua meta de redução de emissões de gases-estufa possa ser feita fora de casa, na proteção das florestas. O Brasil é cauteloso quanto a este ponto. “Redd não pode ser uma permissão para poluir. Tem que ser um mecanismo que proteja a floresta e o clima do planeta.”
O arcabouço financeiro de Redd não está em discussão na CoP-15 neste momento – porque os países ricos não estão colocando recursos sobre a mesa. Como o Redd será financiado, se pelo mercado de créditos de carbono, se por doação direta, se por um mix de fontes, é discussão para o futuro. “Não sei se teremos acordo em Copenhague em Redd se não tivermos também o contexto global”, diz Charlie Parker, Charlie Parker, analista político do Global Canopy Programme, uma ONG científica com sede em Oxford e pesquisadores do mundo todo que trabalham sobre florestas.
“Estou preocupado porque mostrar que está se fazendo progresso em Redd em Copenhague pode ser green wash”, continua, referindo-se a uma espécie de marketing verde.
Adario, do Greenpeace, fala no mesmo tom: “A CoP-15 não pode virar só um acordo de Redd, uma maquiagem verde”, diz ele. “”Esta conferencia não tem o direito de fracassar.”

