Climate talks start with insufficient proposals

By: Daniela Chiaretti on December 12th, 2009

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COPENHAGEN–The largest conference on climate in history started this week in the Danish capital, with 20,000 people from 192 countries, huge expectations and high potential for stalemate.

The best-known points of tension here at UN climate talks are the goals set for reduction of greenhouse gas emissions and the total lack of financial resources available for the poorest nations to adapt to the effects of climate change and emerging economies to create low-carbon economies.

Many here in Copenhagen bemoan the imbalance between rich polluting countries and the poorest countries who stand to lose the most. Who should cut how much of their greenhouse gas emissions? Historical polluters like the US? Newly emerging polluters like China? Who should pay, and how much, to help poorest and most vulnerable countries? Any serious deal struck by the end of next week will need to address these questions.

And the biggest problem is that the pollution-reduction numbers being talked about are not going to be enough  to avoid the excessive heating of the planet, scientists say.

The story in Portuguese follows below:

A maior conferência climática da História começa hoje, em Copenhague, com 20 mil pessoas de 192 países, enorme expectativa e uma coleção de impasses. Os mais conhecidos pontos de tensão são as metas de redução de gases-estufa e a total falta de recursos financeiros sobre a mesa para que as nações mais pobres se adaptem aos efeitos da mudança do clima e criem economias de baixo carbono. A lista de metas é desigual, leva em conta pontos de partida diferentes e uma matemática de emissões pouco transparente. O maior problema é que estão bem aquém do indicado pelos cientistas.

Os Estados Unidos, por exemplo, têm falado em cortes de emissão de 17% em 2020 em relação a 2005. O bloco da União Europeia, pioneiro na apresentação de números, promete 20% em 2020 em comparação a 1990, e 30% se “outros” os seguirem — os outros são certamente os EUA e talvez a China.

Mas os números americanos transportados para a mesma base indicam uma ambição bem menor que a europeia – o corte seria de 3% em relação ao que o país emitiu em 1990. Isto representa até menos do que os EUA fariam se tivessem ratificado o Protocolo de Kyoto e cumprido a meta da ocasião, de 7%. Como cortes nas emissões têm um custo econômico, os europeus se irritam com a tímida promessa americana. Outro ponto de atrito no mundo dos ricos é que a meta dos EUA não cobre todos os setores de sua economia – a agricultura, por exemplo, está de fora.

No front das grandes economias emergentes também há uma babel de percentuais. No mês passado, Brasil, China e Índia anunciaram sucessivamente suas propostas de redução de gases-estufa, o que faz com que suas delegações cheguem fortalecidas hoje a Copenhague.

O Brasil se antecipou prometendo 38% a 42% de corte na tendência crescente de emissões até 2020. Isto significa 15% de redução, em 2020, em relação aos níveis de emissão de gases-estufa de 2005, e seria conseguido diminuindo radicalmente o desmatamento na Amazônia (em 80%) e no Cerrado (40%).

China e Índia indicaram outro parâmetro. Pequim prometeu 40% a 45% de corte na intensidade de emissões em 2020 em relação a 2005 – trata-se de uma medida que leva em conta o custo energético por unidade de PIB. Acontece que se a China mantiver o ritmo de crescimento econômico da última década suas emissões crescem 130%, o que é uma catástrofe para o clima. “Isto quer dizer que se trata de um esforço pequeno para a China? Certamente não”, diz Tasso Azevedo, consultor do Ministério do Meio Ambiente. “Mas não é suficiente para o planeta. E se não existirem metas mais ambiciosas, não vamos conseguir alcançar o que o mundo precisa.”

Na semana passada, ao anunciar as metas indianas, o ministro do meio Ambiente Jairam Ramesh traduziu parte do impasse que existe quando os países apresentam seus números. “As emissões per capita indianas são muito baixas, as de vocês (os países ricos), muito altas”, disse. Cada indiano, segundo dados do governo, emite 1,2 tonelada por ano. Isto é quase quatro vezes menos que a média mundial, o que explica a resistência do país em prometer metas, mesmo em base voluntária. A Índia anunciou uma redução na intensidade de carbono (uma medida que relaciona a emissão de gases-estufa por unidade de PIB) de 20% a 25% em 2020 sobre os níveis de 2005.

“A Índia não causou o problema do aquecimento global, mas em Copenhague queremos mostrar que somos parte da solução”, disse Ramesh usando as mesmas palavras habituais aos membros do G-77, o heterogêneo grupo dos países em desenvolvimento mais a China. A Índia deve perseguir seu compromisso com padrões obrigatórios de emissões veiculares em 2011, um monitoramento constante do estado de suas florestas (“que absorvem atualmente 10% das nossas emissões”, segundo o ministro), e metade das térmicas a carvão usando “tecnologias limpas”.

A África do Sul anunciou ontem que quer cortar 34% de suas emissões, em 2020, em relação à tendência crescente de um país que ainda tem que se desenvolver. Do lado dos industrializados, a maior promessa é a da Noruega, de 40%. Mas as metas são muito inferiores ao que indica a Ciência. Segundo o relatório do IPCC, o braço científico da ONU, divulgado em 2007, a redução de gases-estufa feita pelos países ricos deveria ser de 25% a 40% entre 2013 e 2020. Como as previsões dos efeitos do aquecimento parecem estar acontecendo mais rápido do que o previsto, muitos cientistas, ambientalistas e também o grupo do G-77 mais a China pressionam por reduções de 40%. Pelos cálculos do WRI, o World Resources Institute, uma espécie de think-tank das energias alternativas, as propostas apresentadas até agora indicam uma redução de apenas 10% a 24%.

“Ainda precisa ser avaliado o impacto das declarações dos países sobre a meta estabelecida em Áquila”, diz o pesquisador-visitante do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo Luis Gylvan Meira Filho. Ele se refere ao compromisso assinado em julho deste ano por líderes do G8 e das grandes economias, na Itália. Ali, acertaram segurar a mudança do clima em 2º C em 2100, o que evitaria grandes catástrofes climáticas. “Mas pelos números que tenho visto, estamos indo na direção correta.”

“Trata-se do velho jogo de pôquer de sempre”, avalia Marcelo Furtado, o diretor executivo do Greenpeace-Brasil. Nos últimos movimentos dos países, o mais surpreendente, na sua avaliação, foi a promessa japonesa, que saltou de 8%, em junho, para 25% com o novo governo. “É muito interessante para ilustrar como a política tem a ver com a questão climática. No Japão não foi a economia que mudou. Ali o que mudou foi a liderança”. Mais de 100 líderes são aguardados em Copenhague na semana que vem, durante os dois dias de cúpula. Espera-se que, com sua chegada, o clima esquente na gélida capital dinamarquesa.

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