Protesters flood Copenhagen streets

By: Paula Scheidt Manoel on December 13th, 2009

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Even with the thermometers marking near zero degrees, thousands of people joined a six kilometer march asking for a fair, ambitious and legally binding deal at the Copenhagen climate talks. The protesters let their voices be known on the Saturday before the arrival of 115 heads of states to COP 15 and the beginning of the final negotiations.

Read the story in portuguese below or click here (and see some pictures).

Um jovem dentro de uma fantasia de nave especial diz estar vendendo tickets para escapar do planeta a uma bagatela de US$ 1 bilhão. Próximo a ele, quatro ‘doutores’ e duas ‘enfermeiras’ carregam a Terra em uma maca, verificando seus batimentos cardíacos, alimentando-a com soro. Qual a doença? O imenso termômetro deixa claro que ela está quente demais. A temperatura subiu 2º C.

As personificações dos problemas ambientais atuais, assim como dos ‘vilões’ e ‘vítimas’ das mudanças climáticas, eram várias entre os milhares de manifestantes que encheram as ruas de Copenhague neste sábado (12).  Até mesmo uma enchente foi simulada, com centenas deles usando uma capa de chuva azul turquesa para simbolizar umas das conseqüências do aquecimento global prevista por cientistas.

O que pediam? Que os ministros e líderes de estado dos quase 200 países que começam a chegar neste final de semana na cidade para participar da Conferência do Clima das Nações Unidas fechem um acordo justo (para eles, com US$ 200 bilhões em finanças para os países pobres), ambicioso (garantindo o pico das emissões de carbono em 2015 e retorno para uma concentração máxima de 350 partes por milhão) e legalmente obrigatório.

“Nós viemos de partes do mundo onde sabemos que as mudanças climáticas são reais. Temos pessoas do Pacífico, Ásia e das proximidades do Ártico. Eles estão vendo o gelo derreter e a sua cultura do ‘gelo’ ser destruída”, discursava Tom Goldtooth, um líder indígena norte-americano que dirige a Rede Ambiental Indígena, em cima de um palco a cerca de 100 metros do Bella Center, onde ocorre a COP 15.

“Nós temos que garantir que as suas vozes sejam escutadas, por isso nós faremos o melhor para levá-las aos negociadores”, disse a ex-presidente da Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas, Mary Robinson, deixando o palco com Goldtooth e a jovem ativista Deepa Gupta rumo ao local onde diplomatas estavam fechados em salas discutindo os detalhes do acordo.

Do lado de dentro, o fundador da Campanha 350.org, Bill McKibben, dizia que as fotos de pessoas manifestando ao redor do mundo não paravam de chegar ao seu computador. “Finalmente não são apenas diplomatas falando, mas pessoas de todos os cantos fazendo vigília e pedindo ação.”

Segundo a Campanha Tcktcktck, que reúne centenas de ONGs e uma das organizadoras da passeata, 100 mil pessoas participaram da marcha de seis quilômetros, do centro de Copenhague até o local da Conferência. A estimativa da polícia dinamarquesa era de 30 mil protestantes.  Depois da caminhada, os protestantes acenderam velas em uma grande vigília pelo clima.

Seja qual for exatamente o número, um mar de pessoas ocupava cerca de 400 metros de uma larga avenida próxima ao Bella Center, ponto final da marcha, no final da tarde de sábado.  Porém dentro do pavilhão de negociações não se ouvia nenhum som, já que a forte segurança garantiu que os protestos ficassem bem distantes do edifício, mais de cem metros da entrada principal.

O número de pessoas detidas pela polícia pode ter chegado perto de mil, muitas das quais só teriam sido soltas nesta manhã de domingo (13).  A polícia dinamarquesa está autorizada a prender qualquer um que ela considere estar disposto a fazer algum ato de violência. Por isso, ao andar pelas ruas durante o sábado, não era raro ver pessoas sendo parada pela polícia e tendo que mostrar documentos de identificação.

Porém, nos momentos em que a CarbonoBrasil acompanhou as manifestações, que reuniam  na sua grande maioria europeus, não observamos nenhum ato de violência.

O frio era intenso, próximo de 0o C, e talvez por isso muitos pareciam sem aquela grande energia que normalmente se espera em protestos. Ou talvez seja um mostra de que é possível fazer manifestações de forma bastante pacífica e familiar, já que até crianças se via no meio da multidão.

Aqui, contudo, o frio dura pouco tempo, pois depois de expressarem seus desejos, eles puderam retornar para suas casas, com sistemas de calefação e todo o conforto que estão acostumados a ter. E a pergunta que fica no ar é até que ponto cada um deles está realmente disposto a abdicar disto para fazer a justiça climática que clamam.

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