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	<title>Climate Change Media Partnership &#187; Daniela Chiaretti</title>
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	<description>Improving media coverage and public debate on climate change in the developing world</description>
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		<title>Rich countries signal with only short-term climate funds</title>
		<link>http://www.climatemediapartnership.org/reporting/stories/rich-countries-signal-with-only-short-term-climate-funds/</link>
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		<pubDate>Wed, 16 Dec 2009 15:17:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniela Chiaretti</dc:creator>
				<category><![CDATA[Print stories]]></category>
		<category><![CDATA[Adaptation]]></category>
		<category><![CDATA[Finance]]></category>
		<category><![CDATA[Mitigation]]></category>
		<category><![CDATA[Negotiations]]></category>

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		<description><![CDATA[As UN talks move through their second week here in the Danish capital, the largest hurdle remains for achieving an international climate agreement : not enough money on the table.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>COPENHAGEN&#8211;As UN talks stumble toward their second week here in the Danish capital, the largest hurdle remains for achieving an international climate agreement : lack of money committed to the challenge of reducing carbon pollution and helping poor countries cope with expected destruction as the planet warms.</p>
<p>The story in Portuguese follows.</p>
<p>O maior impasse de um acordo internacional do clima já apareceu no primeiro dia da CoP-15, a conferência das Nações Unidas que começou ontem, em Copenhague: a falta de recursos financeiros que dêem conta do desafio de conter e se adaptar às mudanças climáticas.</p>
<p>Ontem só se falava da opção “fast start”, uma espécie de fundo rápido e ágil que ajude os países mais pobres e mais vulneráveis às mudanças climáticas a se adaptar às enchentes, secas, quebras de safra e outros desastres. Este fundo teria 10 bilhões de euros e viria de cofres públicos dos países ricos. O dinheiro já estaria disponível em 2010.</p>
<p>O Financial Times Deutschland publicou no domingo que a União Europeia estaria pronta a colocar entre 1 bilhão de euros a 3 bilhões de euros no tal “fast start”. O problema é que este volume de recursos é patético frente às estimativas de US$ 100 bilhões (do Banco Mundial) a US$ 200 bilhões (da ONG Oxfam) ao ano que seriam necessários para adaptação e mitigação dos gases-estufa.</p>
<p>“Um dos problemas da CoP-15 é que falta engajamento dos países industrializados no financiamento de ações dos países em desenvolvimento, seja em adaptação à mudança do clima, seja na redução das emissões de gases-estufa”, diz o embaixador extraordinário de mudanças climáticas Sergio Serra. Ele lembra a frase da ministra do meio ambiente da Dinamarca, Connie Hedegaard, agora também presidente da CoP-15: “No money, no deal”. Sem dinheiro, não há acordo.</p>
<p>Se o pacote financeiro não sair, é possível que também não saia o mecanismo de redução de emissões relacionado com florestas conhecido por Redd. Tratam-se de tópicos que são discutidos separadamente na CoP-15, mas que estão intimamente ligados. Além disso, o Brasil não vê com bons olhos acertar a proteção das florestas antes que os países ricos definam metas mais ambiciosas de emissão e coloquem os recursos financeiros sobre a mesa. Se isto não ocorrer simultaneamente, os países com floresta perdem o poder de barganha para outros temas críticos no acordo.</p>
<p>Enquanto o dinheiro não sai, a pressão da Europa sobre os Estados Unidos continua. “O final do jogo será apresentado pelos Estados Unidos e China”, disse o ministro do meio ambiente sueco Andreas Carlgren. “É importante o que eles já apresentaram, mas quando as propostas são analisadas, percebe-se que com elas ainda não reduziremos as emissões a ponto de conseguir ficar no aumento de 2ºC em 2100”, prosseguiu, falando em nome de todos os ministros ambientais europeus.</p>
<p>Em seguida o europeu distribuiu suas alfinetadas. “Pode-se ver que a curva de emissões dos EUA tende a ir para baixo, o que é promissor. Mas ainda digo que a meta é muito baixa.” Carlgren sugeriu que os EUA aumentem sua proposta com uma compensação internacional pelas emissões domésticas e invistam no combate ao desmatamento. “Os EUA poderiam fazer muito mais”. Seria uma ação adicional ao que os EUA fizerem de corte de emissões dentro de seu próprio território, adotando tecnologias mais limpas, esclareceu Arthur Runge-Metzger, diretor da área de clima da União Europeia.</p>
<p>Depois as farpas foram lançadas à China. “Parece que, em algumas circunstâncias, a proposta da China pode significar um aumento das suas emissões. E isto, é claro, não está nas ambições globais.” É verdade que, se a China crescer ao ritmo que vem vindo, sua proposta de corte de emissões pode representar um aumento de 130%. “A questão, neste momento, não é esta”, rebate um diplomata do G-77, o grupo dos países em desenvolvimento mais a China. “A China não tem como reduzir suas emissões agora, elas vão crescer. A questão é evitar que elas cresçam 300%.”</p>
<p>China e Estados Unidos respondem por metade das emissões do planeta, lembrou o ministro do meio ambiente sueco. O que ele não disse é o que incomoda aos europeus: que os dois países, que também são as maiores economias do planeta, tenham compromissos de cortes de emissão mais brandos do que outros países ricos e, assim, produzam de maneira mais barata e competitiva.</p>
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		<title>Progress in forest protection, but enough to make a difference?</title>
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		<pubDate>Mon, 14 Dec 2009 05:09:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniela Chiaretti</dc:creator>
				<category><![CDATA[Print stories]]></category>
		<category><![CDATA[Forests]]></category>
		<category><![CDATA[Mitigation]]></category>
		<category><![CDATA[Negotiations]]></category>

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		<description><![CDATA[Amidst the turmoil over reducing carbon pollution and how to pay for it, talks about forest protection seemed to have made the most progress by the end of the first week here at the UN climate summit.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>COPENHAGEN&#8211;Amidst the turmoil over reducing carbon pollution and how to pay for it, talks about forest protection seemed to have made the most progress by the end of the first week here at the UN climate summit.</p>
<p>For Brazil, however, there are two sides to this coin. Brazil does not want to lose its bargaining power. Nor does it want a deal on forests used to pretend that the Copenhagen climate talks have been a success. Without firm pledges by rich countries to reduce fossil-fuel burning and the global warming it causes, as well as significant money for poor countries to cope with climate change, the importance of forests for carbon emissions trading schemes will remain of theoretical relevance only, critics charge.</p>
<p>The story in Portuguese below.</p>
<p>No final da primeira semana de negociações em Copenhague, o assunto que mais avança é a proteção das florestas. Para o Brasil esta é uma moeda de duas faces. Se este tópico está adiantado e é animador, o financiamento e metas mais ambiciosas de corte de gases-estufa dos países ricos continuam parados. O Brasil não quer perder seu poder de barganha e nem quer que o acordo no capítulo sobre florestas sirva para fingir que Copenhague foi um sucesso. Sem dinheiro ou compromissos dos países ricos, a valorização das florestas continuará no papel.</p>
<p>O assunto tem muita visibilidade nos corredores do Bella Center e também fora daqui. Como já aconteceu na conferencia do ano passado, em Poznan, o tema Redd – o mecanismo de redução de emissões de gases-estufa que acontecem no desmatamento e degradação das matas – é a vedete dos eventos paralelos às reuniões dos diplomatas.</p>
<p>Ontem, o presidente dos Estados Unidos Barack Obama falou, em Oslo, sobre o assunto. “Estou muito impressionado com o modelo que vem sendo construído entre a Noruega e o Brasil e que permite monitoramento eficiente e garante que façamos progressos em evitar o desmatamento da Amazônia”, disse Obama referindo-se ao Fundo Amazônia, que tem recursos noruegueses administrados pelo BNDES e financia projetos que valorizam a floresta em pé. “E nós todos entendemos que esta é provavelmente a maneira mais eficiente, em termos de custo, de enfrentarmos a mudança climática”, prosseguiu Obama. Sem citar o termo Redd, Obama se referiu a ele: “uma série de mecanismos que evitam o desmatamento futuro e, esperamos, também para plantar novas árvores.”</p>
<p>Mas na sala de negociação do texto sobre Redd, é só aparecer a palavra dinheiro que a delegação americana veta. “Chegam a dizer ‘delete’ o tópico”, conta um observador do G-77, o grupo dos países em desenvolvimento mais a China, lembrando que os delegados americanos querem que o termo desapareça. “O que está avançando é a moldura de Redd”, diz Suzana Kahn Ribeiro, secretária de mudanças climáticas e qualidade ambiental do Ministério do Meio Ambiente.</p>
<p>Mesmo na discussão da “moldura” de Redd há atritos. Os EUA, por exemplo, defendem que o mecanismo seja “subnacional” enquanto o Brasil prefere um viés nacional. Isto significa que a contagem de quanto o Brasil deixou de desmatar e deixou de emitir é nacional, não estadual. Os créditos correspondentes ao esforço, ou a doação em dinheiro de cofres públicos (como os recursos da Noruega, no Fundo Amazônia) seriam também centralizados no país. Desta forma, entendem especialistas, evita-se que o desmatamento “vaze” para áreas vizinhas não protegidas por mecanismos de Redd. “Tem que estar dentro da contabilidade nacional, para que não haja vazamento”, concorda Paulo Adario, coordenador da campanha Amazônia do Greenpeace.</p>
<p>Entre os negociadores de Redd, que estão revisando o texto fechado em Barcelona mas ainda não aprovado, não há consenso sequer sobre a definição do que são florestas. Estados Unidos e alguns países africanos preferem a definição de floresta da FAO, que não faz distinção entre floresta nativa ou plantada. É isto que quer a indústria da madeira, por exemplo. O governo brasileiro entende que Redd é um mecanismo para proteger florestas nativas e teme que o incentivo a reflorestamento, neste caso, crie uma dinâmica perversa que estimule o desmatamento. Os negociadores brasileiros defendem, então o conceito de floresta natural da FAO.</p>
<p>Um dos pontos mais polêmicos de Redd é o chamado “offset”, ou compensação. Em sua lei doméstica, os EUA estimam que parte de sua meta de redução de emissões de gases-estufa possa ser feita fora de casa, na proteção das florestas. O Brasil é cauteloso quanto a este ponto. “Redd não pode ser uma permissão para poluir. Tem que ser um mecanismo que proteja a floresta e o clima do planeta.”</p>
<p>O arcabouço financeiro de Redd não está em discussão na CoP-15 neste momento – porque os países ricos não estão colocando recursos sobre a mesa. Como o Redd será financiado, se pelo mercado de créditos de carbono, se por doação direta, se por um mix de fontes, é discussão para o futuro. “Não sei se teremos acordo em Copenhague em Redd se não tivermos também o contexto global”, diz Charlie Parker, Charlie Parker, analista político do Global Canopy Programme, uma ONG científica com sede em Oxford e pesquisadores do mundo todo que trabalham sobre florestas.</p>
<p>“Estou preocupado porque mostrar que está se fazendo progresso em Redd em Copenhague pode ser green wash”, continua, referindo-se a uma espécie de marketing verde.</p>
<p>Adario, do Greenpeace, fala no mesmo tom: “A CoP-15 não pode virar só um acordo de Redd, uma maquiagem verde”, diz ele. “”Esta conferencia não tem o direito de fracassar.”</p>
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		<title>No &#8220;green protectionism&#8221; &#8212; Brazil</title>
		<link>http://www.climatemediapartnership.org/reporting/stories/no-green-protectionism-brazil/</link>
		<comments>http://www.climatemediapartnership.org/reporting/stories/no-green-protectionism-brazil/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 12 Dec 2009 10:03:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniela Chiaretti</dc:creator>
				<category><![CDATA[Print stories]]></category>
		<category><![CDATA[Finance]]></category>
		<category><![CDATA[Impacts]]></category>
		<category><![CDATA[Negotiations]]></category>

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		<description><![CDATA[Brazil and the US are at loggerheads over the issue of climate change and protectionism here at UN talks in the Danish capital.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>COPENHAGEN&#8211;Brazil and the US are at loggerheads over the issue of climate change and protectionism here at UN talks in the Danish capital.</p>
<p>Brazil wants the inclusion of a provision ruling out protectionism in the name of addressing climate change, but the US fears a loss of competitiveness and prefers vaguer and more generic terms, this reporter has learned from an anonymous source in the developing bloc.</p>
<p>This clash of positions being played out in UN negotiations has also drawn the European Union into the ring. Economic considerations are becoming more and more paramount as the climate talks enter their second week.</p>
<p>The story in Portuguese is below:</p>
<p>O Brasil quer uma cláusula específica que proíba protecionismo relacionado às mudanças do clima, mas os Estados Unidos, temendo perda de competitividade, preferem um texto mais vago e genérico. Este embate tem sido travado em uma das salas do Bella Center, em Copenhague, durante a CoP-15 e, em alguns rounds, envolve também a União Europeia. Fica claro que a discussão climática cada vez mais envolve aspectos econômicos.</p>
<p>Na terça-feira, quem ouvia os negociadores falar no grupo de trabalho dos impactos da mitigação dos gases-estufa entendia que ali se discutia comércio internacional. O negociador brasileiro Leandro Waldvogel rebatia a posição dos delegados americanos que querem manter o artigo 3.5 da Convenção do Clima e não acrescentar nada mais a ele. “Não se pode transferir o custo da mitigação para outro país”, dizia Waldvogel, interpretando os impactos da proposta americana.</p>
<p>Pelo artigo da Convenção, “as medidas adotadas para combater a mudança do clima, inclusive as unilaterais, não devem constituir meio de discriminação arbitrária ou injustificável ou restrição velada ao comércio internacional.” Os EUA querem este texto porque ele veta discriminação &#8220;arbitrária e injustificável&#8221;. O problema é que o argumento é subjetivo e os países ricos poderão dizer que suas tarifas não são nem arbitrárias nem injustificáveis.</p>
<p>O Brasil acredita que nenhum país que assina a Convenção de 1992 deve adotar medidas comerciais unilaterais com o objetivo de combater a mudança do clima. Tais medidas comerciais, além disso, devem ser adotadas com consentimento mútuo, segundo a posição brasileira.</p>
<p>“Queremos evitar que este debate contamine a discussão do clima e fique no âmbito da OMC”, diz Sergio Serra, o embaixador extraordinário para mudança climática do Brasil. Quando isso não é possível, o Brasil assume uma posição defensiva: “Caso contrário nossas exportações podem se complicar.” Serra reforça, no entanto, que os produtos brasileiros são fabricados a partir de matriz energética limpa, o que reduz sua pegada de carbono é se traduz em vantagem competitiva.</p>
<p>Este debate, no entanto, avança pelos textos do acordo climático. A Europa, por exemplo, não cede na sua posição sobre o que fazer com as emissões da aviação. O bloco europeu quer uma regra global que envolva todas as empresas aéreas do mundo – e aí não importa se são de países desenvolvidos, com metas obrigatórias de redução, ou de países em desenvolvimento.</p>
<p>Os setores aéreo e marítimo respondem por cerca de 5% das emissões de gases-estufa no mundo. Esta é uma das matemáticas mais difíceis de serem computadas no acordo do clima. É fácil entender o motivo. Em um vôo de uma companhia aérea francesa entre o Brasil e a Alemanha, as emissões são da companhia aérea? Do Brasil ou da Alemanha? E quando o avião passa sobre o Atlântico?</p>
<p>A posição europeia é que todas as companhias aéreas sejam submetidas à mesma regra. E já avisa que, se isso não ocorrer, irá impor, a partir de 2012, às empresas estrangeiras medidas que as enquadrem nas mesmas condições que as suas. Poderia, por exemplo, fazer com que as empresas estrangeiras tenham que comprar licenças de emissão em vôos para a Europa. Isto nada mais é do que uma taxa de carbono com outro nome.</p>
<p>Nos últimos meses, o termo “border tax” tem aparecido com mais regularidade. A taxa de imposto, ou de fronteira, é uma expressão nova, que surge quando se discutem os impactos da lei de energia e clima dos Estados Unidos ou algumas medidas européias. Trata-se de uma taxa de emissão de carbono que alguns países ricos querem impor aos produtos de países em desenvolvimento.</p>
<p>“Já estamos muito alertas para que as medidas de proteção às mudanças climáticas, que são absolutamente legítimas, não se transformem em protecionismo disfarçado”, disse Luis Alberto Figueiredo Machado, o chefe dos negociadores brasileiros. “Se um país industrializado começar a taxar o produto que importa de um país longínquo porque houve emissão, isso poderá causar impacto na economia dos países exportadores.” Segundo ele, alguns países africanos já estão sentindo este efeito.</p>
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		<title>Draft agreements appear, but content is sketchy</title>
		<link>http://www.climatemediapartnership.org/reporting/stories/draft-agreements-appears-but-content-is-sketchy/</link>
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		<pubDate>Sat, 12 Dec 2009 09:48:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniela Chiaretti</dc:creator>
				<category><![CDATA[Print stories]]></category>
		<category><![CDATA[Negotiations]]></category>

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		<description><![CDATA["You can't have a text that no one knows," said a Brazilian diplomat. But that is exactly what is happening in UN talks here in the Danish capital.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>COPENHAGEN&#8211;&#8221;You can&#8217;t have a text that no one knows,&#8221; said a Brazilian diplomat. But that is exactly what is happening in UN talks here in the Danish capital, as up to 20,000 people gather to find an answer to catastrophic climate change.</p>
<p>There are two texts circulating through government delegations, with pretensions of representing some kind of agreement at the end of the conference.</p>
<p>Story in Portuguese below:</p>
<p>“Não pode ter um texto que apareça e ninguém conheça”, comentou um diplomata brasileiro. Pois é isso mesmo que está acontecendo na CoP-15: há dois textos circulando pelas delegações com pretensões de ser algum tipo de acordo ao final da conferência.</p>
<p>O mais polêmico e misterioso é o da Dinamarca. Pelas regras do jogo, a presidência da conferência pode apresentar a sua proposta. Como o acordo mais amplo pode exigir mais tempo e esforço político, os dinamarqueses não querem correr o risco da CoP-15 terminar sem nada. Poucos diplomatas viram este texto. Ele desagrada países do G-77, o bloco dos em desenvolvimento. Não tem metas de cortes de emissão nem recursos financeiros. É só uma espécie de moldura do que deveria ser feito.</p>
<p>Há 15 dias, diplomatas brasileiros, indianos e sulafricanos foram chamados a Pequim. A China, em resposta aos dinamarqueses, preparou outro texto. Também não é bom, com a diferença de exigir que o Protocolo de Kyoto continue vivo. O Brasil apoiou a iniciativa, mas prefere a opção de um acordo mais ambicioso a ter que ratificar algo mais diluído.</p>
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		<title>UN climate summit begins with emotion and a catastrophic note</title>
		<link>http://www.climatemediapartnership.org/reporting/stories/un-climate-summit-begins-with-emotion-and-a-catastrophic-note/</link>
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		<pubDate>Sat, 12 Dec 2009 09:43:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniela Chiaretti</dc:creator>
				<category><![CDATA[Print stories]]></category>

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		<description><![CDATA[It was a dramatic start. A lone girl with a white stuffed teddy bear in hand, holding desperately to a tree trunk in a frightening flood. The UN climate summit here in the Danish capital kicked off this week with this creepy video.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>COPENHAGEN&#8211;It was a dramatic start. A lone girl with a white stuffed teddy bear in hand, holding desperately to a tree trunk in a frightening flood. The UN climate summit here in the Danish capital kicked off this week with this creepy video, followed by speeches about the catastrophe that awaits if the people gathered here do not craft a deal to avoid global warming.</p>
<p>The story in Portuguese is below.</p>
<p>Foi um começo dramático: a cena de uma menina sozinha, com um urso branco de pelúcia na mão, segurando-se desesperada num tronco de madeira com uma enchente assustadora bem debaixo dela. A cena anterior mostrava a mesma criança acordando em sua cama, mas no meio de um deserto. A CoP-15, o maior evento de cunho político da história, começou ontem, em Copenhague, numa segunda-feira enevoada, 5 graus lá fora, e um vídeo de arrepiar.</p>
<p>O secretário-executivo da Convenção do Clima das Nações Unidas, Yvo de Boer, abriu seu discurso em tom igualmente didático e atordoante. “Minha mãe estava segurando meu irmão mais novo e minha irmã mais velha segurava minha irmã mais nova”, começou de Boer. E seguiu repetindo as palavras de Nyi Lay, um menino de 6 anos, que viveu a pavorosa experiência de um ciclone. Algumas semanas depois, o garoto reencontrou a avó e as irmãs, mas nunca mais teve notícias dos pais e do irmão menor. “Senhoras e senhores: é a repetição de casos como esse que o mundo tem que evitar.”</p>
<p>O primeiro-ministro dinamarquês Lars Rasmussen lembrou que o “aquecimento global não tem fronteiras, não discrimina e afetará a nós todos.” Em seu discurso de abertura, disse que é possível mudar e contou que na CoP-15 não há garrafas de água, só água “limpa, pura e da torneira”. Que dois terços de toda a comida servida aqui é orgânica. E que os participantes não ganharam sacolas de brindes. “Decidimos cortar os presentes e com o dinheiro trazer 11 estudantes de várias partes do mundo que vão freqüentar um mestrado de dois anos sobre clima na Dinamarca.” Foi aplaudido. O problema é que, buscando salvar esta conferencia a qualquer custo, seus assessores prepararam um dos documentos mais misteriosos da CoP-15: um acordo protocolar, vago e fraco, que ninguém viu e quem viu, não gostou.</p>
<p>Sua ministra do meio ambiente, Connie Hedegaard, eleita presidente da CoP-15 falou de forma bem mais contundente. Disse que é preciso fazer um acordo forte e agora, já.</p>
<p>Aliás, aqui, ninguém parece falar a mesma coisa, mesmo quando as palavras são as mesmas. Pelos corredores escutam-se diplomatas explicando a jornalistas (há 3500 na CoP e mais 1500 para chegar) o que seria um acordo “legally binding”, algo como um acordo politicamente obrigatório e vinculante e que a pessoa deveria buscar um “non-paper” no guichê. É um papel como qualquer outro – só que na linguagem das CoP, um non-paper é um rascunho de alguma proposta. Mas um rascunho oficial, com logo das Nações Unidas e tudo.</p>
<p>Na semana que vem, 110 chefes de Estado são esperados no grande centro de convenções, o Bella Center. É um lugar acarpetado, gigante e frio como costumam ser os centros de convenções. Tem sofás cinzas bonitos espalhados em alguns cantos e outros lugares esquisitos. Quem quer chegar à delegação brasileira, por exemplo, passa por um túnel de paredes de plástico, do mesmo material dos banheiros químicos dos shows – mas que aqui, por sorte, são brancas. Uma enorme torre eólica, da Vestas, está plantada em uma saída. Em um dos caminhos há um grande globo. É para lembrar os 20 mil políticos, cientistas e ambientalistas que circulam pelo circo climático que a CoP-15 tem que resolver o problema da vida de Leah Wickham, uma estudante de 24 anos das Ilhas Fidji. Ela contou sua história subindo repentinamente no palco de onde saíam Yvo de Boer e Connie Hedegaard ao término de uma coletiva de imprensa. “Por favor, nos ajudem a salvar o meu país”, disse a moça, chorando. Ativistas da campanha TikTak, mostrando que conseguiram 10 milhões de assinaturas de gente pelo mundo pedindo que os governos assinem um bom acordo em Copenhague, estavam, silenciosos, atrás dela. Foi o momento mais emocionante do primeiro dia da CoP-15. (DC)</p>
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		<title>Climate talks start with insufficient proposals</title>
		<link>http://www.climatemediapartnership.org/reporting/stories/conference-starts-with-insufficient-proposals/</link>
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		<pubDate>Sat, 12 Dec 2009 09:30:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniela Chiaretti</dc:creator>
				<category><![CDATA[Print stories]]></category>
		<category><![CDATA[Mitigation]]></category>
		<category><![CDATA[Negotiations]]></category>

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		<description><![CDATA[The largest conference on climate in history started this week in the Danish capital, with 20,000 people from 192 countries, huge expectations and high potential for stalemate.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>COPENHAGEN&#8211;The largest conference on climate in history started this week in the Danish capital, with 20,000 people from 192 countries, huge expectations and high potential for stalemate.</p>
<p>The best-known points of tension here at UN climate talks are the goals set for reduction of greenhouse gas emissions and the total lack of financial resources available for the poorest nations to adapt to the effects of climate change and emerging economies to create low-carbon economies.</p>
<p>Many here in Copenhagen bemoan the imbalance between rich polluting countries and the poorest countries who stand to lose the most. Who should cut how much of their greenhouse gas emissions? Historical polluters like the US? Newly emerging polluters like China? Who should pay, and how much, to help poorest and most vulnerable countries? Any serious deal struck by the end of next week will need to address these questions.</p>
<p>And the biggest problem is that the pollution-reduction numbers being talked about are not going to be enough  to avoid the excessive heating of the planet, scientists say.</p>
<p>The story in Portuguese follows below:</p>
<p>A maior conferência climática da História começa hoje, em Copenhague, com 20 mil pessoas de 192 países, enorme expectativa e uma coleção de impasses. Os mais conhecidos pontos de tensão são as metas de redução de gases-estufa e a total falta de recursos financeiros sobre a mesa para que as nações mais pobres se adaptem aos efeitos da mudança do clima e criem economias de baixo carbono. A lista de metas é desigual, leva em conta pontos de partida diferentes e uma matemática de emissões pouco transparente. O maior problema é que estão bem aquém do indicado pelos cientistas.</p>
<p>Os Estados Unidos, por exemplo, têm falado em cortes de emissão de 17% em 2020 em relação a 2005. O bloco da União Europeia, pioneiro na apresentação de números, promete 20% em 2020 em comparação a 1990, e 30% se “outros” os seguirem &#8212; os outros são certamente os EUA e talvez a China.</p>
<p>Mas os números americanos transportados para a mesma base indicam uma ambição bem menor que a europeia – o corte seria de 3% em relação ao que o país emitiu em 1990. Isto representa até menos do que os EUA fariam se tivessem ratificado o Protocolo de Kyoto e cumprido a meta da ocasião, de 7%. Como cortes nas emissões têm um custo econômico, os europeus se irritam com a tímida promessa americana. Outro ponto de atrito no mundo dos ricos é que a meta dos EUA não cobre todos os setores de sua economia – a agricultura, por exemplo, está de fora.</p>
<p>No front das grandes economias emergentes também há uma babel de percentuais. No mês passado, Brasil, China e Índia anunciaram sucessivamente suas propostas de redução de gases-estufa, o que faz com que suas delegações cheguem fortalecidas hoje a Copenhague.</p>
<p>O Brasil se antecipou prometendo 38% a 42% de corte na tendência crescente de emissões até 2020. Isto significa 15% de redução, em 2020, em relação aos níveis de emissão de gases-estufa de 2005, e seria conseguido diminuindo radicalmente o desmatamento na Amazônia (em 80%) e no Cerrado (40%).</p>
<p>China e Índia indicaram outro parâmetro. Pequim prometeu 40% a 45% de corte na intensidade de emissões em 2020 em relação a 2005 – trata-se de uma medida que leva em conta o custo energético por unidade de PIB. Acontece que se a China mantiver o ritmo de crescimento econômico da última década suas emissões crescem 130%, o que é uma catástrofe para o clima. “Isto quer dizer que se trata de um esforço pequeno para a China? Certamente não”, diz Tasso Azevedo, consultor do Ministério do Meio Ambiente. “Mas não é suficiente para o planeta. E se não existirem metas mais ambiciosas, não vamos conseguir alcançar o que o mundo precisa.”</p>
<p>Na semana passada, ao anunciar as metas indianas, o ministro do meio Ambiente Jairam Ramesh traduziu parte do impasse que existe quando os países apresentam seus números. “As emissões per capita indianas são muito baixas, as de vocês (os países ricos), muito altas”, disse. Cada indiano, segundo dados do governo, emite 1,2 tonelada por ano. Isto é quase quatro vezes menos que a média mundial, o que explica a resistência do país em prometer metas, mesmo em base voluntária. A Índia anunciou uma redução na intensidade de carbono (uma medida que relaciona a emissão de gases-estufa por unidade de PIB) de 20% a 25% em 2020 sobre os níveis de 2005.</p>
<p>“A Índia não causou o problema do aquecimento global, mas em Copenhague queremos mostrar que somos parte da solução”, disse Ramesh usando as mesmas palavras habituais aos membros do G-77, o heterogêneo grupo dos países em desenvolvimento mais a China. A Índia deve perseguir seu compromisso com padrões obrigatórios de emissões veiculares em 2011, um monitoramento constante do estado de suas florestas (“que absorvem atualmente 10% das nossas emissões”, segundo o ministro), e metade das térmicas a carvão usando “tecnologias limpas”.</p>
<p>A África do Sul anunciou ontem que quer cortar 34% de suas emissões, em 2020, em relação à tendência crescente de um país que ainda tem que se desenvolver. Do lado dos industrializados, a maior promessa é a da Noruega, de 40%. Mas as metas são muito inferiores ao que indica a Ciência. Segundo o relatório do IPCC, o braço científico da ONU, divulgado em 2007, a redução de gases-estufa feita pelos países ricos deveria ser de 25% a 40% entre 2013 e 2020. Como as previsões dos efeitos do aquecimento parecem estar acontecendo mais rápido do que o previsto, muitos cientistas, ambientalistas e também o grupo do G-77 mais a China pressionam por reduções de 40%. Pelos cálculos do WRI, o World Resources Institute, uma espécie de think-tank das energias alternativas, as propostas apresentadas até agora indicam uma redução de apenas 10% a 24%.</p>
<p>“Ainda precisa ser avaliado o impacto das declarações dos países sobre a meta estabelecida em Áquila”, diz o pesquisador-visitante do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo Luis Gylvan Meira Filho. Ele se refere ao compromisso assinado em julho deste ano por líderes do G8 e das grandes economias, na Itália. Ali, acertaram segurar a mudança do clima em 2º C em 2100, o que evitaria grandes catástrofes climáticas. “Mas pelos números que tenho visto, estamos indo na direção correta.”</p>
<p>“Trata-se do velho jogo de pôquer de sempre”, avalia Marcelo Furtado, o diretor executivo do Greenpeace-Brasil. Nos últimos movimentos dos países, o mais surpreendente, na sua avaliação, foi a promessa japonesa, que saltou de 8%, em junho, para 25% com o novo governo. “É muito interessante para ilustrar como a política tem a ver com a questão climática. No Japão não foi a economia que mudou. Ali o que mudou foi a liderança”. Mais de 100 líderes são aguardados em Copenhague na semana que vem, durante os dois dias de cúpula. Espera-se que, com sua chegada, o clima esquente na gélida capital dinamarquesa.</p>
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		<title>Many Battles, One Venue</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Jan 2009 09:27:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniela Chiaretti</dc:creator>
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		<description><![CDATA[The 13-day UNFCCC summit in Poznan, Poland had many debates surrounding the main issues pertaining to CoP-14. Rajendra K. Pachauri, president of the Nobel Prize-winning Inter-governmental Panel on Climate Change, told 40 journalists with the Climate Change Media Partnership to “Eat less meat”, and then, “I’m not saying that the world should become vegetarian. I’m just recommending that we eat less meat.” Pachauri explained the problems associated with meat production but did so without mentioning Brazil. At Poznan, 11,600 diplomats, scientists, environmentalists, businessmen, bureaucrats and journalists tried ‘to save the planet’ from the effects of climate change. Former US Vice President Al Gore gave a well-received speech.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>The 13-day UNFCCC summit in Poznan, Poland had many debates surrounding the main issues pertaining to CoP-14. Rajendra K. Pachauri, president of the Nobel Prize-winning Inter-governmental Panel on Climate Change, told 40 journalists with the Climate Change Media Partnership to “Eat less meat”, and then, “I’m not saying that the world should become vegetarian. I’m just recommending that we eat less meat.” Pachauri explained the problems associated with meat production but did so without mentioning Brazil. At Poznan, 11,600 diplomats, scientists, environmentalists, businessmen, bureaucrats and journalists tried ‘to save the planet’ from the effects of climate change. Former US Vice President Al Gore gave a well-received speech. The “No Rights, No Redd” demonstration, the eco editions and countries that won the Fossil Prizes, the shy decisions for the Adaptation Fund, and the postponed agenda for Copenhagen, also feature in this article. There are also comments from Greenpeace, WWF and the David Suzuki Foundation on what was good (or not) about the conference. And, of course, the most sexy moment in the whole event: the NGO party!</em></p>
<p>“Comam menos carne”. O economista indiano Rajendra K. Pachauri, presidente do braço científico da ONU para mudança climática, o IPCC, encarou os 40 jornalistas que o entrevistavam na Polônia e prosseguiu: “Não estou dizendo para que o mundo se torne vegetariano. Só estou recomendando que se coma menos carne.” l</p>
<p>Era uma tarde gélida de dezembro em Poznan, onde durante doze dias e várias madrugadas, 11.600 pessoas concentradas numa espécie de Rio-Centro tentavam salvar o planeta. Eram políticos, cientistas, ambientalistas, burocratas, empresários e jornalistas &#8211; cerca de mil jornalistas, mas só uns cinco dos Estados Unidos, sinal evidente que o time de negociadores do governo George Bush não produziria muita notícia. Os diplomatas discutiam em reuniões intermináveis e de linguagem cifrada temas complexos como garantir o futuro das florestas ou a transferência de tecnologia dos países ricos aos pobres. No final da conferência do clima das Nações Unidas, a chamada CoP-14, às 3h30 da manhã do sábado 13 de dezembro, o saldo era melancólico. Muito esforço por quase nada.</p>
<p>Pachauri, um dos cientistas mais célebres do mundo quando o assunto é clima, Nobel da Paz em 2007 junto com o ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore, disse com voz serena e semblante de faquir que ou se faz algo rápido, e já, ou será tarde demais. Falava supondo que seus interlocutores entendiam os meandros e a gravidade do problema. “A questão da carne é a sua cadeia produtiva.”</p>
<p>Ele não citou o Brasil, mas a pressão da pecuária sobre a floresta amazônica é nacional e internacionalmente conhecida. A prática das últimas décadas costuma seguir esta trilha: desmata-se para colocar gado no lugar da floresta, e desta forma contribui-se para o aquecimento global jogando mais CO2 na atmosfera. Mas também se desmata para plantar soja e alimentar com grãos os rebanhos da Europa e dos Estados Unidos. No transporte dos produtos de lá para cá, mais CO2 é emitido. Para piorar, o gado, em seu processo digestivo, libera metano, um gás-estufa 25 vezes mais nocivo para o aquecimento da Terra que o CO2. Em termos econômicos, tanto carne como soja são fundamentais para as contas brasileiras. Em termos climáticos, cortar árvores para pasto e soja é uma demência completa.</p>
<p>Encontrar uma forma de remunerar quem preserva as florestas foi um dos pontos que mais avançou nas discussões internacionais em Poznan. Mas a CoP-14 era na origem uma “CoP do meio”, uma cúpula entre a conferência de Bali, em 2007, e a de Copenhague, em 2009, onde se espera saia o acordo mundial sobre clima. Assim, numa reunião processual e não decisória, mesmo o documento sobre REDD, sigla que define a Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal, estava fadado a ser genérico e vago. O debate não passou nem perto de discutir se o dinheiro para salvar as florestas virá de fundos alimentados por doações voluntárias dos países ricos aos países com florestas (como o Fundo Amazônia, do Brasil) ou se os recursos estarão atrelados ao mercado de créditos de carbono. Ou se haverá espaço para ambas as formas. Mesmo singelo, o texto produziu um dos momentos mais acalorados da fria Poznan.</p>
<p>O nó foi a retirada da palavra “direitos” dos povos indígenas e comunidades tradicionais do texto final sobre florestas e REDD feito pelo órgão técnico da Convenção de Mudança Climática da ONU. Como nas Nações Unidas as decisões ou são aprovadas por consenso ou não acontecem, a pressão dos Estados Unidos, Austrália, Nova Zelândia e Canadá retirou o termo “rights” da versão final. Os argumentos foram diversos, mas o mais citado era a idéia de evitar movimentos territoriais separatistas. Por trás de tudo, a pergunta com “a resposta de um milhão de dólares”, dizia Paulo Adário, diretor da Campanha Amazônia do Greenpeace. “O nó é este: quem vai ficar com os créditos de carbono por ter preservado a floresta? O país, o Estado, a região, as comunidades tradicionais, os índios?”</p>
<p>“Ficamos chocados”, dizia Paula Moreira, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), na entrevista coletiva diária que ONGs dão nas CoPs, sinalizando os pontos de conflito nas negociações. “Este mapa da Amazônia mostra que nas terras indígenas ocorreu só 1,1% de desmatamento, o que é menos até do registrado nas áreas protegidas”.</p>
<p>“No rights, no REDD”, ouvia-se como um mantra no corredor principal do pavilhão de Poznan. Um grupo de manifestantes protestava contra a exclusão de seus direitos e talvez da remuneração futura pelo serviço ambiental prestado. Steve Schwartzman, diretor de política florestal do Environmental Defense Fund (EDF), uma ONG americana defensora de projetos de REDD atrelados ao mercado de carbono, procurava ressaltar “o avanço” no texto fechado pelos negociadores. “Não é o que as populações indígenas querem e merecem, mas isso garante que eles sejam ouvidos no processo.” O texto não foi mudado e o tema ficou no ar. Ressurgiu na madrugada final, na última plenária, nas palavras do representante da Dinamarca, que esperou o documento ser aprovado por consenso para fazer a ressalva: dizer que tinham dado seu OK para não criar caso, mas que não concordavam com a supressão dos direitos dos povos indígenas. Em seu discurso no dia em que os ministros falaram em plenário, o brasileiro Carlos Minc mencionou o direito de populações indígenas e tradicionais “serem dotadas de meios para uma sobrevivência digna, mantendo a floresta em pé e contribuindo de maneira decisiva para a preservação da biodiversidade”. Minc discursou para 3 mil delegados. Vestia, claro, colete. Despediu-se com suas tradicionais “saudações ecológicas e libertárias”</p>
<p>No dia seguinte à polêmica de REDD e direitos indígenas, a edição de “Eco”, newsletter de uma folha feita diariamente pelas ONGs e lida por todo o circo climático nas CoPs, era inclemente: “Os governos ainda não entenderam que os povos indígenas e comunidades tradicionais não são apenas uma ’questão metodológica’”, metralhava o artigo. Citava a República Democrática do Congo, onde 60% dos habitantes, “umas 40 milhões de pessoas, ou são povos indígenas ou dependem da floresta.” “Qualquer um que imagine que REDD pode significar uma redução de emissões permanente e confiável sem o envolvimento destas pessoas em um processo totalmente includente bebeu muita Zubroska.” A marca da fantástica vodca polonesa &#8211; “aquela que tem dentro a erva do bisão”, segundo a propaganda da bebida &#8211; foi uma das palavras mais faladas pelos estrangeiros em Poznan. A outra, dentro da conferência, era REDD &#8211; a sigla dominou centenas de eventos paralelos às rodadas de negociações que ocorriam num zoológico de salas chamadas “Cisne”, “Ovelha Branca”, “Raposa” ou “Aesculapian Snake”, uma cobra comprida que existe na Europa. Mas o texto final de REDD, depois de uma semana de debates, ficou mesmo anódino.</p>
<p>O interesse pela preservação das florestas pode esconder um equívoco. É para onde miram 10 entre 10 delegações dos países industrializados que, pelo Protocolo de Kyoto, têm que reduzir, na média, 5% das emissões de gases-estufa em 2008-2012 em relação aos níveis de 1990 (uma tarefa que muitos não têm cumprido e que os cientistas dizem que está muito aquém do que se deve fazer para evitar grandes catástrofes climáticas). Parece mais barato e mais fácil investir na preservação das matas que mudar toda a matriz energética suja de países como a Polônia, por exemplo, que tem no carvão praticamente sua única fonte de energia &#8211; e isto explica parte do frisson que as discussões de REDD tiveram em Poznan. “Não vamos fazer desta uma opção barata”, avisava o diplomata brasileiro Luiz Alberto Figueiredo Machado, chefe dos negociadores brasileiros e presidente do processo de negociação de longo prazo de Poznan. “Só é barato se a demanda for pequena. O que queremos? Manter para sempre as pessoas que vivem na floresta em casas precárias e carentes ou melhorar sua qualidade de vida?”. Ficou claro que este debate vai pegar fogo em Copenhague, em dezembro de 2009.</p>
<p>Outro ponto tenso e de solução postergada para a Dinamarca foi a tentativa de muitos países de colocarem as CCS dentro do MDL (conferências climáticas funcionam assim, por siglas). CCS é Carbon Capture and Storage, uma tecnologia que ainda não existe em escala comercial, mas que vem sendo pesquisada em todo o mundo, inclusive no Brasil, pela Petrobras. É o ovo de Colombo dos combustíveis fósseis: enterrar o CO2 das termoelétricas a carvão ou utilizá-lo para explorar petróleo sem soltá-lo na atmosfera. Arábia Saudita, para citar a voz mais eloqüente, queria que as CCS entrassem no Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, o MDL, previsto em Kyoto e que permite que países industrializados e com metas de redução possam cumprir seus compromissos investindo em projetos de tecnologia limpa em países em desenvolvimento. O MDL estava em revisão em Poznan. A maior crítica é que todos os projetos vêm sendo feitos na China, na Índia e no Brasil, e a África continua ao Deus-dará. Fácil entender que, com CCS, o mercado de carbono se voltaria ao carvão e o mecanismo ficaria ainda mais centralizado. O Brasil e a coalizão das pequenas ilhas resistiu fortemente ao pedido de inclusão. O texto acabou sugerindo mais estudos sobre a eficiência das CCS.</p>
<p>Poznan podia ter terminado, pelo menos, com um trunfo: mais dinheiro para o Fundo de Adaptação, uma urgência dos países-ilha, de nações sempre às voltas com inundações ou sofrendo pela maior aridez do clima. Os países do G-77 mais a China pediam mais dinheiro e um fundo mais ágil, de acesso mais direto. A única coisa que se decidiu foi o conselho do fundo. Ele continua sendo alimentado por uma fatia tímida de 2% dos recursos movimentados em projetos de MDL. Dá uns US$ 80 milhões atualmente. A ONG Oxfam calcula que são necessários US$ 50 bilhões ao ano para que os países mais vulneráveis se adequem às modificações que ocorrem devido às mudanças climáticas. Havia a proposta de se ter um percentual das outras modalidades que movimentam o mercado de carbono, mas os países desenvolvidos brecaram a sugestão. Ficou assim, sem mais recursos.</p>
<p>“Poznan era o meio do caminho, mas está claro que estamos bem atrás na agenda”, dizia desencantado Keith Allott, chefe de mudanças climáticas da WWF no Reino Unido, nas últimas horas da conferência. “Algumas coisas foram acertadas, mas o ritmo geral do progresso continua dolorosamente lento e não estamos vendo entendimento e confiança entre as nações desenvolvidas e as em desenvolvimento.” Allott mantém a esperança: “Em 2009 precisamos de um empurrão que coloque as negociações de novo nos trilhos”. Ele enxerga sinais encorajadores vindos do presidente eleito Barack Obama, que tem se cercado de um time de primeira linha de cientistas e experts em energia. “Vamos torcer para que o engajamento dos EUA no processo dê nova dinâmica nas discussões estagnadas que vimos em Poznan.”</p>
<p>O canadense Mark Lutes, analista político, de mudança climática e energia da David Suzuki Foundation, lembrava que o ponto mais impressionante do processo polonês foi a posição de liderança assumida pelos países em desenvolvimento empenhados em levar adiante as discussões. “Foi em parte uma resposta ao vácuo deixado pela União Européia, que estava centrada em seus debates domésticos do pacote de clima e energia”, ponderava Lutes. A legislação, que prevê os já anunciados cortes de emissão de 20% em 2020, foi aprovada pelos países da UE no último dia da conferência de Poznan.</p>
<p>“Os emergentes também ocuparam o vácuo deixado pelos negociadores dos EUA, que ficaram de lado esperando que o governo Obama tome seu assento.” Lutes também acha que as nações em desenvolvimento enxergaram a oportunidade de terem papel mais ativo no processo “protegendo seus interesses e direito de crescimento com a visão que um desenvolvimento diferente, de baixo carbono, é necessário e possível.”</p>
<p>A aparição de Al Gore em Poznan, no último dia do evento, foi como se um astro de rock tivesse baixado no plenário. A fila era grande na entrada. Ele domina o palco, sabe bem o que dizer. “Não podemos negociar com os fatos”, disse, incentivando as delegações a chegarem a algum lugar. Elogiou o Brasil, a China e a Índia. Os aplausos o interromperam quando mencionou a necessidade de se brecar a concentração de gases-estufa na atmosfera em 350 ppm, o que faria com que a temperatura do Planeta aumentasse só 1,5 °C e evitaria que os países-ilha submergissem completamente.</p>
<p>Gore saiu apressado e deixou, por algumas horas, um clima mais ameno no pavilhão. Não para um jornalista americano. “Não gosto dele”, dizia, na contramão do êxtase geral. “Quando ele concorreu à Presidência nem mencionou a plataforma ambiental. E já tinha escrito um livro sobre isso. Dizia que ambiente não elege ninguém.” Mesmo assim, por algumas horas reinou em Poznan a mesma atmosfera alegre que interrompia o marasmo todos os dias, às 18h, quando a trilha de “Parque dos Dinossauros”, de Spielberg começava a ser ouvida sucedida por gritos e palmas. É a hora em que as ONGs davam o “Fóssil do Dia” ao país que mais bloqueou as negociações &#8211; o troféu é um treco mambembe com um Tiranossauro Rex de plástico no centro. O Canadá ganhou quatro vezes. A União Européia também foi contemplada. A Itália levou o seu. Japão, Austrália, Estados Unidos, todos saíram premiados.</p>
<p>O momento mais efervescente de Poznan ficou no meio do caminho, na festa das ONGs que acontece sempre no final da primeira semana. Ali, diplomatas e ambientalistas tomavam cerveja e vodca enquanto discutiam os rumos do planeta. O alemão Martin Kaiser, coordenador de política florestal do Greenpeace Internacional, trocava impressões amazônicas com Bianca Jagger, a mais recente celebridade apaixonada pela Floresta. O biólogo Mike Shanahan, do IIED, uma instituição britânica que patrocina estudos que promovam o desenvolvimento sustentável no mundo, convidava delegados de Botsuana a participarem de um evento paralelo. Virgílio Viana, diretor geral da Fundação Amazonas Sustentável, contava como o Estado do Amazonas tem usado projetos de REDD para garantir recursos e preservar a floresta. Na pista de dança, ao som de música tecno, gente do Butão e da Mongólia dançava com italianos e russos.</p>
<p>Nos dias seguintes, nas salas de discussão, ficava claro que a confraternização tinha acabado. “Queremos um novo acordo”, disse a jornalistas, na última tarde, Joan Ruddock, vice-ministra britânica para mudanças climáticas. “Neste momento, não estamos considerando a segunda fase do Protocolo de Kyoto”. Foi a primeira vez que um representante de um país desenvolvido confrontou o que vem sendo defendido pelo G-77 mais China: a continuidade de Kyoto, com novos e fortes cortes de emissões pelos ricos e um distanciamento da curva crescente de emissões pelos emergentes. Os diplomatas não querem nem ouvir falar nisso: dizem claramente que levará muitos anos para acertar um novo acordo saindo do zero. A terceira via é modernizar Kyoto, pendurar novas metas e mecanismos e, talvez, mudar o nome de tudo para seduzir o Congresso americano, que tem urticária quando ouve o nome do Protocolo.</p>
<p>A nova agenda para Copenhague está acertada &#8211; em junho tem que estar pronto um texto de negociação. Todas as propostas estão no papel, compiladas por Figueiredo Machado, e é daí que vai sair o acordo. Nos pontos críticos e fundamentais do debate climático internacional &#8211; transferência de tecnologia, novas metas de cortes de emissões e quem paga a conta &#8211; Poznan nem chegou perto.</p>
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		<title>$2 billion for Brazil projects, including climate — World Bank</title>
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		<pubDate>Fri, 12 Dec 2008 09:39:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniela Chiaretti</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Brazil will receive USD 2 billion in loans from the World Bank, part of which is meant for climate change projects, a Bank official said during climate change talks in Poland. The final details of the loan are still under consideration, but will likely include money to fight deforestation in the Amazon and for disaster preparedness in the Northeast.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Brazil will receive USD 2 billion in loans from the World Bank, part of which is meant for climate change projects, a Bank official said during climate change talks in Poland. The final details of the loan are still under consideration, but will likely include money to fight deforestation in the Amazon and for disaster preparedness in the Northeast.</em></p>
<p>Falta a aprovação final, mas o Banco Mundial (Bird) deve emprestar US$ 2 bilhões ao Brasil para que o país enfrente os efeitos das mudanças do clima. O dinheiro pode aterrissar no Ministério do Meio Ambiente e no BNDES em fevereiro. Segundo o ministro Carlos Minc, que chegou ontem à Polônia, os recursos podem ajudar a evitar o desmatamento na Amazônia, a adaptar o Nordeste à aridez e também na produção de estudos de vulnerabilidade que ajudem a evitar tragédias como as provocadas pelas chuvas em Santa Catarina.</p>
<p>O Banco Mundial lançou em Poznan o seu relatório anual sobre América Latina e Caribe totalmente voltado às mudanças climáticas, o impacto delas na região e o potencial regional para ajudar no combate ao aquecimento global. A região, segundo o estudo, responde por apenas 6% das emissões globais de gases-estufa relacionados ao setor energético e 12% se forem consideradas todas as fontes, incluindo desmatamento e agricultura.</p>
<p>Os impactos da mudança do clima já são evidentes na América Latina e no Caribe. Os danos provocados pelos furacões aumentarão de 10% a 26% para cada meio grau Celsius de aquecimento do mar. O desaparecimento das geleiras nos Andes deixará 77 milhões de pessoas convivendo com escassez de água em 2020. A produtividade agrícola na América do Sul pode cair, em 2100, entre 12% a 50%, e os desastres naturais (tempestades, secas e enchentes), custam, em média, 0,6% do PIB nos países afetados. No México, 30% a 85% das fazendas podem zerar a produtividade em 2100.</p>
<p>“Em Bali começamos a pensar em uma nova estratégia de abordar as mudanças climáticas no Banco”, diz Kathy Sierra, chefe do departamento de desenvolvimento sustentável do Banco Mundial. O caminho que a instituição financeira enxerga para transformar as economias latinas e caribenhas em economias de baixo carbono “aumentará a competitividade da região, especialmente se a fronteira tecnológica mundial se deslocar em direção à redução de emissões”, diz o estudo.</p>
<p>O estudo faz o lobby verde da região: elenca o potencial brasileiro em crescer com hidroeletricidade, etanol e biodiesel. Diz que políticas de transporte que protegem o ambiente acontecem em Curitiba e Bogotá e que a Argentina promove o avanço do uso de energias renováveis em terras rurais.</p>
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		<title>Rich vs. Poor in UN climate talks</title>
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		<pubDate>Fri, 12 Dec 2008 09:37:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniela Chiaretti</dc:creator>
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		<description><![CDATA[High-level UN climate talks in Poland began Thursday as a struggle between rich and poor. Industrialized countries were still far from agreement on setting limits on greenhouse gas emissions, and were at an impasse over money to help poor countries cope with climate change.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>High-level UN climate talks in Poland began Thursday as a struggle between rich and poor. Industrialized countries were still far from agreement on setting limits on greenhouse gas emissions, and were at an impasse over money to help poor countries cope with climate change.</em></p>
<p>Poznan, Poland — A reunião ministerial da conferência das Nações Unidas sobre mudanças climáticas que ocorre na Polônia começa em clima de embate entre ricos e pobres. Os países industrializados, que deveriam ter acertado as novas metas de redução de emissões de gases-estufa para depois de 2012, estão longe de chegar a uma decisão. Outro impasse gira em torno ao acesso ao Fundo de Adaptação, o dinheiro necessário para que os mais pobres, e que são os que mais sofrem o impacto do aquecimento global, possam se ajustar ao fenômeno.</p>
<p>Sobrou para os 140 ministros de Meio Ambiente resolverem hoje se algo mais contundente sairá da CoP-14, o nome da conferência. No primeiro e fundamental ponto, as novas metas de redução de emissões para o segundo período do Protocolo de Kyoto, tarefa que cabe às nações industrializadas, há pouca esperança de avanços. O bloco dos países em desenvolvimento, reunidos no G-77 mais a China, quer que as novas metas sigam a recomendação do IPCC, o braço científico da ONU, e sejam algo entre 25% a 40% em 2020, sobre os níveis de 1990. Só assim, acredita-se, a temperatura do Planeta pode aquecer no máximo 2°C neste século e minimizar os desastres climáticos que virão. Mas as nações industrializadas, que sequer conseguem cumprir o corte de 5% sobre as emissões de gases-estufa de 1990, meta que vigora agora pelo Protocolo, não se acertam com os novos números. A União Européia anuncia cortes de 20% em 2020, e é a proposta mais arrojada que está na mesa. O Canadá assinou Kyoto, mas é o único país a dizer claramente que não cumprirá as metas e suas emissões, ao invés de caírem, já cresceram 14%. A Austrália, que em 2007 finalmente aderiu ao Protocolo, anunciará em uma semana cortes tímidos que, especula-se, podem ser algo entre 5% e 15%. Todos os outros aguardam o que fará a nova administração de Barack Obama. O presidente eleito dos Estados Unidos diz que pretende chegar a 2020 com os níveis de emissão de 1990. É um avanço para o país que mais emite gases-estufa no mundo, nunca assinou Kyoto, mas está muito aquém do necessário. “As nações ricas não estão estabelecendo novas metas e cobram ações dos países em desenvolvimento”, diz a ambientalista Tasneem Essop, da WWW &#8211; África do Sul. Ela enumera que muito tem sido feito por estes países, para mostrar que estão contribuindo para a solução do problema. A China, por exemplo, praticamente alcançou a meta de ter 10% de energias renováveis na sua matriz em 2010 e pode chegar a 20%. O plano nacional de mudanças climáticas da Índia prevê a retirada de 10 mil MW gerados em termoelétricas a carvão ineficientes em 2017. A África do Sul anunciou uma estratégia de redução de gases de longo prazo e as Filipinas têm uma nova lei que fala em 50% de suprimento energético baseado em fontes renováveis. “A idéia que as nações em desenvolvimento não estão contribuindo para a solução do problema não poderia estar mais longe da verdade”, disse Yvo de Boer, secretário-executivo da Convenção de Mudanças Climáticas. “O que eles dizem é que para ir adiante têm que ter financiamento, tecnologia e capacitação, e isso têm que vir dos industrializados.” Dificilmente esta pendência terá alguma solução em Poznan. “Hoje, com a crise financeira, é difícil chegar para um ministro das Finanças e pedir dinheiro para mudanças climáticas”, reconhece Boer. A outra aresta, o acesso ao Fundo de Adaptação, é mais possível de ser resolvida. “O copo está 4/5 cheio”, animou-se Boer. Adaptação é um termo amplo que define ações necessárias para os países enfrentarem as mudanças climáticas. Podem ser diques e barragens na Holanda ou abrigos em Bangladesh. O fundo foi acertado na edição passada da conferência, em Bali, em 2007. Ele se financia com 2% dos recursos provenientes dos projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, os MDL, um sistema pelo qual os países ricos, com obrigações de reduzir emissões, investem em projetos de tecnologia limpa em países em desenvolvimento, que ganham créditos de carbono por isso. Só que o fundo é muito tímido, tem hoje algo próximo a US$ 70 milhões e deveria, fala-se pelos corredores de Poznan, ser de US$ 70 bilhões anuais para dar conta do recado. Quem administra o dinheiro é o GEF, um braço do Banco Mundial, que os países em desenvolvimento consideram burocrático e pouco ágil. É este um dos pontos polêmicos. A demanda dos pobres é ter acesso livre ao dinheiro. A outra pendência esconde uma forte briga de interesses nos bastidores das negociações e tem a ver com quem bancará uma tecnologia que ainda engatinha em todo o mundo e interessa muito aos países produtores de petróleo e carvão – a chamada CCS, ou Captura e Seqüestro de Carbono. A Arábia Saudita quer que os CCS sejam considerados projetos de MDL e se beneficiem dos créditos de carbono. Brasil e pequenas ilhas se opõem. O medo é que com o volume de petróleo e carvão existente no mundo, todos os créditos do MDL migrem para países de matriz energética suja. O financiamento e a transferência de tecnologia é ponto fundamental que praticamente não avançou no processo, diz Luiz Alberto Figueiredo Machado, o chefe dos negociadores brasileiros. Este assunto, certamente, só será definido em Copenhague.</p>
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		<title>Big businesses demand deep cuts in climate pollution</title>
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		<pubDate>Fri, 12 Dec 2008 09:35:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniela Chiaretti</dc:creator>
				<category><![CDATA[Print stories]]></category>
		<category><![CDATA[Adaptation]]></category>
		<category><![CDATA[Mitigation]]></category>
		<category><![CDATA[Negotiations]]></category>

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		<description><![CDATA[UN climate change talks in Poland were surprised this week by a call from 140 companies to make deep cuts in greenhouse gas emissions. Sounding more like radical NGOs than businesses, the group of companies from several industrialized countries and China — including Shell and Unilever — demanded sharp and rapid cuts in emissions: 50 percent to 80 percent by 2050.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>UN climate change talks in Poland were surprised this week by a call from 140 companies to make deep cuts in greenhouse gas emissions. Sounding more like radical NGOs than businesses, the group of companies from several industrialized countries and China — including Shell and Unilever — demanded sharp and rapid cuts in emissions: 50 percent to 80 percent by 2050.</em></p>
<p>Poznan—As 190 delegações presentes na conferência das Nações Unidas sobre mudanças climáticas foram surpreendidas ontem com o comunicado de um grupo de líderes de 140 empresas espalhadas pelo mundo onde se lia “Precisamos adotar cortes rápidos e profundos nas emissões de gases do efeito-estufa”. Adotando um discurso de vanguarda e alinhado em vários pontos aos das ONGs mais radicais, os empresários dizem que estão dispostos a se adequar a decisões de cortes de 50% a 85% em 2050.</p>
<p>O comunicado do Corporate Leaders Group on Climate Change é assinado por presidentes e diretores de empresas da Austrália, China, Europa, Japão, Estados Unidos, América do Sul, Canadá. Estão ali a seguradora Allianz e a Deutsche Telekom, a Philips, a Rolls-Royce, a Shell, a Unilever, a Virgin. Assinam também executivos da Nike, Kodak e Yahoo, nos EUA. Existem três empresas chinesas (Ryle Technology, Shangai Eletric e Suntech), a japonesa Ricoh. “Estamos sinalizando aos governos que eles podem e devem tomar as decisões necessárias”, diz Harry Verhaar, diretor sênior de energia e mudança climática da Philips Lighting, um projeto global da empresa para promover a iluminação mais eficiente no mundo. “É muito importante que se consiga um acordo mundial para enfrentar as mudanças climáticas. O planeta vai aquecer, não temos tempo.” O comunicado pontua uma proposta de negociação aos governos. O acordo tem que estabelecer um caminho de reduções de emissões de longo prazo, para o período de 2010 a 2050. As metas terão que se guiar pelo o que diz a Ciência, “para garantir que as concentrações globais de gases-estufa sejam estabilizadas abaixo dos níveis críticos”. Pelo documento, os países desenvolvidos têm que tomar a dianteira em cortes imediatos profundos e dar o exemplo de como crescer em economias de baixo carbono. Os em desenvolvimento, por seu turno, têm que fazer sua parte com planos de redução de emissões. Economias emergentes, sugere o comunicado, “deveriam desenvolver fortes ações setoriais para adotar compromissos adequados em 2020”. Os empresários também pedem “medidas para formar um mercado robusto” de carbono e a revisão do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), para facilitar o apoio financeiro e tecnológico aos países em desenvolvimento. Outro ponto do manifesto fala na necessidade de se ter uma estratégia de adaptação aos efeitos da mudança climática para ajudar os países pobres mais vulneráveis e apóiam mecanismos de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (REDD). “Na conferência de Poznan, pedimos que os países concordem num plano de ação para o último ano das negociações”, diz o comunicado, para que se chegue a um acordo no encontro de Copenhague, em dezembro de 2009. Verhaar reconhece que a crise financeira é um risco para que o processo de decisões fique muito vagaroso. “Mas é preciso reconhecer que a energia atual também é muito cara e tem impacto sobre a economia”, continua. “As empresas que não seguirem este caminho vão desaparecer no futuro” acredita Verhaar. “A crise climática é tão imensa que não pode ser resolvida só pelos governos. Temos que estar todos juntos nisso, governos, empresários, ambientalistas.”</p>
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